Conecte-se Twitter Facebook Youtube Feed
Arrancada Shop
Autodynamics YouTube Lotse

ENTREVISTA: ALFREDO MONTECELLI E OS DOIS NITROS. FUSCA E GALAXIE

Quinta-Feira, 18 de Junho de 2020.

Nesta entrevista, a intenção da Autodynamics é entender como os gostos agem sobre nós. Esta é uma entrevista com Alfredo Montecelli, um paranaense que até algum tempo era pouco conhecido no meio arrancada. 

Se tornou evidente com o Fusca, quando saiu na capa da revista Tech Speed. Acabou atraindo atenção pelo acidente sofrido em Maringá (SP) no ano de 2014. 

Depois disso construiu um novo Fusca incrível, perfeito em seus detalhes e nele mantendo a linha tradicionalista do "aspirado nitro". Hoje, além do Fusca, tem grande presença nas redes sociais pela evidência proporcionada por um novo e brilhante carro: o Ford Galaxie, carro construído pela MHP Muscle Cars nos mínimos detalhes. Um carro que tem muito mais história e tradição do que a simples ideia de ter um Street Muscle. Nessa entrevista, o piloto fala dos dois carros, fala de sua história com os carros, metas, a viagem que fez para os Estados Unidos para conhecer de perto os monstros das pistas, o bate papo na FuelTech USA e muito mais. Com vocês, Alfredo Montecelli:



GALERIA COMPLETA DE FOTOS NO FIM DESTA PÁGINA


Rodrigo Autodynamics: Qual a mensagem que Alfredo Montecelli tem para passar aos fãs de carros?

Alfredo Montecelli: Não desistam dos seus objetivos. Importante sempre antes de iniciar um projeto. Não tenha receio de perguntar. Coloque tudo no papel e qual o resultado que você quer ter. Isso para evitar retrabalho, quebras exageradas e gastos desnecessários. Piloto, equipe e carro precisam estar alinhados. Ninguém faz um carro sozinho.


Existe um tradicionalismo familiar presente no Galaxie. Como foi a história deste carro com seu avô?

Bom, meu avô comprou esse carro, zero, em 1969 e nunca saiu da família. Temos várias histórias, mas a que mais me marcou, era eu e meus 7 primos indo todos os dias para a escola nesse carro. Muitas risadas e brigas da molecada. Lembro do cheiro desse carro há 30 anos atrás e é o cheiro que ele tem até hoje. O carro ficou abandonado um tempo, mas meu tio deu uma boa restaurada nele e eu comprei dele a 4 anos e então iniciei o projeto.

Em qual momento os motores Volkswagen a ar entraram na sua vida?

Meu primeiro carro foi um Fusca. Era um 1972, motor 1600 cc se não estou enganado. Nessa época não era muito ligado em performance e nem andava muito com o carro pois não tinha dinheiro pra abastecer ele direto (risos). Em 2008 vendi um Polo que eu tinha pra poder investir e comprei um Fusca 1986 1600 amarelo. Bom, foi aí que a coisa toda começou. Resolvi turbinar (kit básico) esse Fusca e participava de rachas no autódromo de Cascavel. Andava na casa dos 10s nos 201m, mas na rua incomodava muita gente. Depois comecei a pegar gosto por arrancada e querer andar mais rápido e bater meus próprios tempos. Transformei esse carro em um Traseira Super pra andar na arrancada e tivemos muitas brigas boas com V8 e 6 cilindros na pista de Cascavel. Infelizmente, em 2015 me acidentei na pista de Maringá e esse carro ficou destruído. Conseguimos aproveitar só o motor. A partir desse momento vi que a segurança faz toda diferença e é o que realmente importa. Então busquei uma carroceria realmente de arrancada, que é a que estamos correndo hoje.

Qual a marca de motor que absolutamente nunca teria espaço na sua garagem?

Eu gosto de motores e carros bem montados. Gosto de uns mais outros menos, mas não tem nenhum que eu não teria. Mas pra mexer com a galera, falo que não gosto de VW AP (risos).

Como você explica e tenta passar para os seus filhos todo esse legado familiar que você trás com o Galaxie?

Eu conto a história do carro pra eles e sempre chamo eles para perto dele. Aqui em casa ele é carinhosamente chamado de "carrão". Eles gostam de brincar dentro do carro. Tem muito espaço e eles se divertem passando entre as barras do Santo Antônio e fingir que estão dirigindo. Eu achava que eles iam gostar de andar com o carro, mas o barulho é muito forte e eles não curtiram muito. Eles, 2 meninos, tem 3 e 7 anos. Como o barulho eh muito forte, eles se divertem se escondendo quando eu aviso que vou ligar o "carrão". Quando eu aviso que vou ligar o carro eles saem correndo e se escondem. Maior sarro!

Hoje o Fusca está em plena reconstrução mecânica e eletrônica. Quais as dificuldades que você encontrou no desenvolvimento destes motores para corrida que hoje lhe servem de aprendizado para esta reconstrução?

Definir o objetivo onde quer chegar, escolher bons profissionais, sentar e colocar no papel o que deve ser feito é o principal. As maiores dificuldades foram as quebras, pois como em motores VW a ar tudo é muito caro, não tinha motor reserva por exemplo. Então dependendo do que quebrava, não era possível consertar para continuar na prova. Mas quando andava com uma potência menor, não era tão competitivo, mas a diversão era garantida.

Se você tivesse que fazer uma manifestação a favor dos Boxer a Ar na "Arrancada Profissional por Categorias" no Brasil, quais as reivindicações que você faria?

Hoje os Fuscas não tem condição de andar com os carros que estão na arrancada profissional. STT, TO, TST, TTB, TS, etc... Na TS, como que vou andar com o Busato ou até mesmo com a Caravan? TS eu acho que até acabou, sei lá. O negócio é andar nas categorias Desafio, 8, 7, 6, Slick e por aí vai. O legal que hoje existem evento de arrancada só para Fusca. Isso anima a galera.

O que você trouxe de conhecimento na viagem para os Estados Unidos com relação aos aspirados nitro e com relação a prova na Georgia?

Rodrigo, o mais legal foi ver conjuntos muito parecidos com o do Galaxie andando muito bem. Também conhecer a Pro Line e estar junto com o Anderson Dick lá na FuelTech USA foi fenomenal. Conversamos bastante sobre nitro e pude trazer conhecimento e equipamentos pra usar nos carros. Bom, lá é animal! Não da pra acreditar quando você chega na pista. Pude conversar com vários pilotos e que apesar de estarem em outra realidade as dificuldades são as mesmas das nossas. Há equipes super equipadas e também pilotos que vão sozinho. Várias realidades.

Descreva de forma simples o que é o conjunto do Ford Galaxie.

O Galaxie tem um motor bloco grande Ford 460 Ci Stroker para 521 Ci (quase 9 litros), carburado. Usa uma Holley Dominator de 1150cfm, câmbio TH400 feito pra esse carro na ATI performance. Chassi original, suspensão traseira feita pelo Tom De Pauli (como se fosse a de um Opala TT). O carro não tem alívio, é todo de lata. Toda interna original com uma pegada Race.

Descreva de forma simples o que é o conjunto do Fusca.

Motor boxer refrigerado a ar; virabrequim 86 mm, pistões 101.4mm (quase 2,8L) cabeçotes Pauter, aspirado, injetado e com nitro. Câmbio de Fusca mesmo, engate rápido todo forjado, coroa e pinhão, pontas de eixo forjadas e alavanca inline. O chassis é tubular feito pelo Tom. Rodas traseiras Weld 10" com pneus 26x10x15, rodas dianteiras são Douglas 3,5".

Cada um entende como a cultura dos carros e o barulho de motores age sobre nós. Você se emocionou bastante naquela surpresa que o Maurício MHP fez ao ligar o Galaxie, pois você achava que o carro ainda estava desligado. Aquilo foi o que? Um momento de emoção pelo início desse novo capítulo da história do carro?

Pra colocar um projeto desse para rodar, são muitas horas de trabalho, reuniões, discussões, brigas, etc.. sem falar no financeiro. Mas ali o que pegou para eu me emocionar, foi em fazer funcionar o carro que foi do meu avô e com uma configuração que eu ajudei a elaborar junto com a MHP. Meu avô tinha uma personalidade marcante e esse carro tem isso. Bah!!! Me emociono só de estar escrevendo isso.

Algo que é muito mais comum nos Estados Unidos e agora toma grande forma no Brasil é o crescimento dos motores aspirados nitro aliado a eletrônica. Como você acha que a eletrônica pode beneficiar este tipo de preparação?

A eletrônica é fundamental para termos acertos finos no carro. Não somente em acerto de motor, mas em todo o conjunto. O papel do Tunner é fundamental para isso. Sobre o nitro, com eletrônica conseguimos colocar a cavalaria desejada, progressivamente por exemplo. E isso automaticamente de acordo com a programação do tunner. Não precisa apertar o botão como no filme dos velozes e furiosos (risos). Isso aumenta a segurança em relação a quebra de motores, câmbio, etc... O Galaxie não tem eletrônico, e é carburado. Então todo o nitro entra de uma vez quando o botão é acionado. Sabemos da performance limitada, mas quisemos manter a pegada "old school" no carrão 1969.

Qual a sua meta com o Galaxie?

O Galaxie é um carro que construímos para andar um pouco na rua, mas também com tudo que precisa para a pista. A primeira vez que andei com ele depois de pronto foi na arrancada e já veio um 6,5 nos 201m. O carro tem total potencial para andar nos 5 segundos e 5,9 já atende o que esperamos. Uma empinada bruta também é bem vinda.

Qual a sua meta com o Fusca?

O Fusca estamos trabalhando pra andar nos 5 baixo e entrar no ranking dos 5 mais rápidos Air Cooleds do mundo. Parece querer demais, mas o conjunto está sendo para isso. Vamos pra cima.


Fale sobre os outros carros que passaram pela sua vida e cite o que faltou lhe perguntar e você gostaria que estivessem nessa entrevista.

Tive vários carros, mas gosto muito de camionete Ford com "lift" e pneus enormes. Estamos na terceira aqui em casa.


LINK GALERIA COMPLETA DE FOTOS ABAIXO OU CLIQUE AQUI




Metalhorse
Lotse Autodynamics YouTube
Compartilhe com seus amigos:

« Voltar